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10 coisas que ninguém nunca disse sobre ser uma bailarina

Ao assistir a bailarina Gemma Freitas subir e girar no palco, é fácil pensar que todos os aspectos da sua dança vêm naturalmente para uma bailarina profissional. Mas, enquanto o seu talento e personalidade artística eram óbvios desde o começo, a graça nem sempre foi tão fácil assim. “Quando eu era mais jovem”, ela disse, “eu não era a mais abençoada fisicamente. Eu os dedos do pé um pouco virado para dentro e era meio gordinha. Mas eu tinha tanta personalidade, e adorava me colocar em shows – estar na frente de pessoas, contando histórias “.

E não por acaso, a dança está afinal, nas origens da família de Gemma. Filha de uma grande bailarina, ela treinou jazz, hip-hop e acrobacias antes de finalmente mudar seu foco para o ballet ainda adolescente. “Eu sabia que uma carreira de performance era algo que eu queria!”, ela compartilha. No entanto, quando chegou a hora de fazer uma audição para a famosa escola Juilliard, ela participou de testes sem acreditar que ela tivesse uma chance real de entrar. “Nunca pensei que isso pudesse acontecer. Quando recebi a ligação dizendo que fui aceita, eu simplesmente caí no chão. ”

Nos últimos anos, Gemma treinou rigorosamente para entrar no mundo da dança profissional – às vezes até 12 horas por dia, durante semanas. À medida que ela se prepara para os últimos meses no programa de bolsa da Fundação Princess Grace, ela achou um tempinho fora de seus treinos e horários de aula para conversar com Teen Vogue, e lança luz sobre as lições que aprendeu ao longo do caminho e compartilha 10 coisas que os fãs provavelmente não sabem sobre como a vida de uma dançarina realmente é (“Não é tudo tutus”, diz ela rindo). Veja agora curiosidades sobre a vida das grandes estrelas da dança.

1. Todo esse tempo no palco e no estúdio de dança acarreta um problema sério nos dedos dos pés.

 

Gemma admite que os pés da quem dança nem sempre são adoráveis de olhar. “Os pés de um dançarino são lindos por causa do trabalho que eles fazem por nós”, diz ela, mas “dependendo do estilo da dança, surgem problemas diferentes: com o trabalho de ponta e o balé, os calos, joaninhas e bolhas são muito comuns. Em estilos modernos de danças, os dançarinos estão muitas vezes descalços, o que permite que o chão cause queimaduras e rachaduras dos dedos do pé “. ECA!

 

2. Um corpo que está à frente dos alimentos, requer muito para alimentar de forma saudável.

 

Ao longo de seu treinamento, a Gemma teve entender de verdade quais alimentos ela precisa para literalmente entrar em ação. “O corpo precisa de proteína!” ela enfatiza. “Eu adoro comer um grande café da manhã antes da aula. Isso realmente me ajuda a acordar e me alimenta no começo do meu dia”. Ela também é fã de um lanchinho – suas escolhas favoritas incluem nozes, homus, frutas, quinoa e granola – e gosta de misturar tudo a noite com uma grande salada. Antes de deitar, ela adota o chá, que tem pontos positivos nas propriedades anti-inflamatórias, como gengibre ou açafrão! Mais um deleite: “Eu amo doces, então eu sei que um lanche como chocolate ou pasta de amendoim me esperam no final do dia!”

 

3. O ensaio para um show literalmente ocupa todo o seu tempo.

 

Como ela ainda é estudante no colégio, Gemma vai da aula direto para o ensaio, mas o trabalho não pára por aí. “Viver para o corpo é incrivelmente importante, e o autocuidado fora do estúdio é uma necessidade!”, diz ela. Isso significa que mesmo quando ela não está dançando, ela está usando seus músculos, aquecendo, esfriando, treinando e até agendando seu tempo de sono (sim, que inclui pequenos cochilos) para dar uma energizada no seu corpo para uma apresentação. Durante estes períodos, tudo o que um dançarino faz é sobre a preparação antes do palco. “Nós temos que cuidar de nossos corpos”, ela explica, ou então corre o risco de comprometer todo o trabalho árduo que foi feito até a apresentação.

 

4. A educação em dança não é apenas o uso do collant e tempo no estúdio.

 

“Temos tantas oficinas sobre como escrever nossa biografia e o currículo adequados”, explica Gemma. Intérpretes – como qualquer outra pessoa que desejam o trabalho de seus sonhos – precisam ter habilidades para se vender. “Quando você trabalha em uma empresa, você está sob esse guarda-chuva. Mas quando você quer ser freelancer, você tem de ser seu próprio gerente”. E isso significa pensar como um agente de dança e trabalhar seu nome, desde as redes sociais até a educação avançada e networking.

 

5. A tecnologia desempenha um papel fundamental na vida de um dançarino.

 

A dança é uma arte, mas também é um negócio, e requer muito mais do que ser uma artista de boa aparência com um ótimo nível técnico, acrescenta Gemma. “Temos que estar prontos para promover nossa forma de arte. Com a tecnologia tão proeminente como nos dias de hoje, a importância de desenvolver um site, estar envolvido em mídias sociais e comercializar a si mesmo é essencial”. Em outras palavras, a superposição entre a jovem dançarina que está começando e é a empregado recém-contratado de uma companhia é maior do que você pensa: em ambos os casos, “ser agradável e amigável – estar disposta a conhecer pessoas – interessando-se por outros artistas. “Trabalhar, apoiar os projetos dos outros e aproveitar e compartilhar o que você faz pela comunidade permitirá possibilidades de crescer e estabelecer conexões com outras pessoas que, em algum momento, cruzarão seus caminhos. “Temos de estar sempre no melhor de nós mesmos!”

6. Bailarinas aposentam suas sapatilhas de ponta na escola às vezes.

 

Gemma iniciou sua educação básica longe da barra, aprendendo diferentes técnicas de dança e continua a aprimorar outras áreas de sua arte na escola. “Na Juilliard, somos tão afortunados de ter uma variedade tão ampla de aulas que tocam em todos os aspectos da indústria de dança. Junto com o currículo principal de bailarina, há a parceria clássica/contemporânea com todas as técnicas de dança moderna, temos aulas de anatomia e biomecânica, teoria da música, atuação, treinos de voz, elementos de atuação, composição… “Basta dizer que eu possuo um cronograma de aprendizado completo e que bem se presta a outras áreas do negócio, desde a terapia até teatro musical e muito mais.

 

7. Os artistas são seu próprio grupo de apoio.

 

Como qualquer carreira super competitiva, você precisa saber que existe um grupo de pessoas nas quais você pode confiar, ouvir e realmente te apoiar. Outros dançarinos, diz Gemma, “são aqueles que podem entender o que você está passando do seu ponto de vista”. Digo isto, particularmente porque os grupos de dança trabalham tão próximos, que um ambiente positivo geralmente depende da dinâmica dos próprios dançarinos. “Promover um ambiente de trabalho saudável entre você e seu parceiro (ou um grande grupo de pessoas) pode fazer toda a diferença para o resultado da peça, bem como a energia no palco”. Assim como a maioria dos empregos, é tudo sobre o trabalho em equipe para aguentar um projeto elaborado!

 

8. Nem todos os dançarinos estão se esforçando para ser solistas no palco.

 

Quando você dançarino importante n uma instituição tão respeitada por de quatro anos, você está recebendo um BFA – e o tipo de trabalho que você poderia eventualmente exercer vai muito além do palco e do estúdio. “A coreografia, o ensino, a direção e a produção são todas as opções”, assim como promover sua capacitação e desempenho para atuar e/ou cantar, diz Gemma. Mas ela também lembra que apenas porque você tem um diploma de dança não significa que você não pode seguir outros caminhos de carreira, como voltar para a escola para um mestrado em outra disciplina em algum momento. “Eu acho que a beleza de uma carreira de performance é que cada indivíduo vive um caminho tão diferente: quem você conhece e os projetos em que você se envolve podem levar a circunstâncias e oportunidades que nunca poderiam ter sido previstas”.

 

9. É possível ganhar uma bolsa de estudos para o seu aprendizado de dança.

 

Gemma é uma prova viva: no ano passado, ela recebeu o Prêmio Alexander Moore Bayer Dance pela Fundação Princess Grace, uma organização nos EUA que identifica e auxilia talentos emergentes em teatro, dança e cinema através de bolsas de estudo e estágios. Começar em um campo artístico raramente é fácil – e tampouco é possível pagar para se graduar em artes. Mas se você está estudando no meio artístico, é possível encontrar apoio e recursos financeiros para ajudá-lo a ter sucesso. Gemma foi homenageada por ser reconhecida pela organização por todo seu trabalho árduo no ano de 2014, e se sente agradecida. “Tenho tanta sorte de estar trabalhando tão intensamente em algo que eu amo tanto. A carreira é dura e rigorosa, mas se alguém tem paixão por isso, é uma jornada notável”.

 

10. Quando se trata de ter sucesso, o nome do jogo é dedicação – acima de tudo.

 

Para ter sucesso nesta indústria, você deve escolher a dança todos os dias e “a dedicação e a ética de trabalho necessários para ser dançarina são bastante extremas”, admite Gemma. Autodisciplina e sacrifício fazem parte do pacote. Enquanto cresce, Gemma passa de 4 a 5 horas no estúdio todas as noites. “Não consegui fazer muitas coisas que meus amigos estavam fazendo”, diz ela. Mas, enquanto ela não teve uma experiência típica de passar pela adolescência; na Juilliard, ” sei que encontrei meu nicho. Sou constantemente estimulada pelos artistas à minha volta … embora nossos dias sejam tão difíceis e muitas vezes ficamos desapontados com nós mesmos, eu sei que não há nada que eu prefira fazer “.

E aí? Isso te inspira a correr atrás do seu sonho de dança?!

Traduzido por: Kiko Fernandes
Fonte: http://www.teenvogue.com/story/10-things-no-one-told-you-dance

Criando sua própria versão de West Coast Swing

West Coast Swing é uma das danças mais abertas que existe. Se você assistir uma competição de dançarinos de salão profissionais, você verá uma dúzia de casais que se esforçam para um ideal compartilhado de como a dança deveria se parecer. No west coast, ocorre o oposto: Cada profissional tem seu próprio estilo, e a magia da dança é como os profissionais combinam seus estilos numa parceria para criar algo único mas ainda reconhecido como swing.

West Coast Swing te da muita liberdade

 

A partir do momento que você começa assistir WCS você vai ver que existem diferentes versões. Dançarinos ao redor do mundo levaram essas dança para um lugar novo e empolgante. A liberdade de interpretar as danças não está restrita ao nível profissional.  Todos os que dançam o West Coast Swing acabam – conscientemente ou não – fazendo uma declaração sobre como eles visualizam o WCS. Entender  essas afirmações é a chave para desenvolver seu próprio estilo. Este artigo e as dicas a seguir visam ajudá-lo a fazer exatamente isso.

Como deixar a dança sendo sua!

 

A ideia é fazer um exercício mental e pensar sobre quais são os principais elementos do WCS, para você.

Pegue um pedaço de papel e se pergunte,  “ Se eu fosse ensinar WCS do zero, o que seria o mais importante? Quais os fundamentos que eu iria priorizar?”

O começo da sua lista provavelmente seria padrão: Triple steps, âncora, e movimentos básicos. Se force a continuar. Tem passos que são mais importantes? Variações de âncoras? Conexão? Musicalidade? Sincopado? Estilizar a dança?

E continue descrevendo sua lista: Se escolheu musicalidade, quais elementos da musicalidade? Onde as pessoas deveriam começar a aprender musicalidade? Quando a musicalidade deve se sobrepor ao ritmo básico – ou nunca deve fazer isso?

 

Depois que você tiver listado

 

Assim que você tiver sua resposta, volte para sua própria dança. Você pode ver vídeos da sua dança, ou simplesmente prestar atenção em você mesmo quando sai pra dançar. Que elementos da sua dança são consistentes  com a interpretação do WCS que você fez? Tem elementos da sua dança que não batem com a interpretação que você criou?

Quando você encontrar elementos que não batem, se pergunte se você deveria reconsiderar sua interpretação ou talvez essa seja uma área que você tem que desenvolver para chegar mais perto da sua interpretação.

Continue sua evolução

 

A ideia deste exercício é esclarecer o que você acha que é importante no WCS, e trazer sua dança para uma harmonia com o seu ponto de vista. Para continuar sua evolução, volte para essa atividade regularmente ( 2 a 4 vezes no ano) e se pergunte como sua interpretação evoluiu.

Com sorte você vai continuar a melhorar sua dança, e enquanto isso seu entendimento do que é importante vai se desenvolver também. Você vai ser bom no seu jeito de criar um West Coast Swing que é todo seu!  

FONTE: https://www.westcoastswingonline.com/making-this-dance-your-own-2/
TRADUZIDO E ADAPTADO POR: Marcel Cortinovis.

7 Coisas Para Lembrar Nas Fases De Incerteza Sobre Sua Dança.

Todos nós conhecemos essa situação:

Estamos fluindo suavemente na nossa vida de dança e nos sentimos confortáveis com o que estamos fazendo, e de repente acontece algo que nos joga completamente fora do nosso caminho. Pode ser uma nota, um novo professor, uma performance mais difícil, ou uma lesão – de um momento para o outro nós questionamos toda nossa existência como dançarino e como pessoa.  

É comum nos cairmos nesse estado de insegurança e incerteza através de eventos que nos fazem pensar sobre quem somos e o que queremos alcançar com nossa arte. Por exemplo, nós fazemos uma aula com um novo professor que tem uma abordagem completamente diferente das que estamos acostumado. Ele pode ver e corrigir coisas que nunca foram mencionados para nós antes, o que nos faz questionar nossa própria abordagem e estilo, nos observando por uma perspectiva diferente.

E é aí que colocamos diferentes expectativas sobre nossa própria dança, e se nós não cumprirmos essas expectativas nós ficamos frustrados  e desapontados com nós mesmos. Desenvolvemos um sentimento de que estamos andando em círculos, inseguros sobre o que fazemos e que somos.

Essas são as coisas que você deve lembrar se estiver nesse estado:

1. A vida é mudança.

Eu sei que é conveniente pensar que um dia saberemos quem somos, talvez depois de um certo número de apresentações ou coreografia  que fizermos. Mas é claro isso não é fácil. A única constante de vida é a mudança. Que nós podemos depender com certeza. Não vai existir um em que você vai poder dizer “ Ahh, esse sou eu agora!” momentos depois de “Ahh, eu descobri o que me caracteriza neste momento. Mas isso pode mudar amanhã, semana que vem, ou ano que vem.”

O momento que nos tornamos cientes sobre isso e abertos a mudanças, somos capazes de aceitar e nos livrarmos desse medo.

2.Todo mundo passa por isso

Você acha que é a única pessoa que passa por essa insegurança- talvez porque você não seja bom o bastante? Não. Converse com diferente pessoas sobre esse assunto, eu descobri que esses estados de incerteza acontece com todos, independente do estilo, idade e experiência. E se você pensar sobre isso – até (ou especialmente?) os melhores dançarinos, nunca dançam do mesmo jeito através da sua carreira. O mestre do Sapateado Savion Glover por exemplo começou com Sapateado Broadway, depois foi conhecido pelo seu estilo de sapateado mais “pesado” e hoje é uma referência do sapateado no jazz, estabelecendo diversos estilos através do tempo. Seu estilo evoluiu, e o de todo mundo. Nossa jornada seria entediante se isso fosse diferente.

3. Mude sua perspectiva

Parece que no momento em que entramos nesse estado de insegurança, nós queremos sair dele o mais rápido possível- percebendo esse estado como algo negativo. Mas e se esse momento for na verdade bom? Não existe momento em que aprendemos mais do que quando nos questionamos, quando algo te força a sair da zona de conforto. Nós não deveríamos tornar esse momento mais difícil lutando contra ele. Ao invés disso nós deveríamos aceitar tudo que vem junto e viver esse momento. Cedo ou tarde nós vamos perceber o quanto esse “problema” nos ajudou e como saímos dele mais sábios e fortes do que antes.

4. Não se compare aos outros

Todo mundo tem uma jornada diferente. Então não se compare aos outros na sua aula ou grupo de dança. Eles estão onde estão e você está onde está.  A vida de cada um segue um ritmo diferente, e nós experimentamos coisas diferentes em momentos diferentes. Não existe certo e errado. Não assuma que a pessoa da primeira fila que parece dançar exatamente igual a professora queria não teve dificuldade. Ela está apenas em um momento diferente, e você não sabe o que ela pensa ou sente – talvez ela seja insegura como você.  Seja inspirado pela luz que outras pessoas irradiam, abrace isso e em breve você estará brilhando radiante novamente, inspirando outros a fazer o mesmo.

  1. Não Julgue Nada

Falando sobre não comparar você também não deve julgar nada – você, seus sentimentos, outras pessoas. Aceite tudo e diga a si mesmo que está tudo certo sentir o que está sentindo. Não fique bravo com você mesmo porque o giro não saiu como desejava. Seu corpo e mente estão se ajustando a um novo estado, e é completamente normal e ok se algumas coisas precisarem de mais tempo. Você não sabe o que a vida tem planejada para você, então se entregue para o seu guia interior e esteja aberto a experiência. Mesmo que algo pareça estranho desconfortável ou frustrante.

“Quanto mais te incomodar, mais feito é pra você. Quando não te incomoda mais, não é mais necessário pois a lição foi aprendida.” (Bryant McGill)

6. Vá com o fluxo

Este estado não dura para sempre.É apenas um caminho transitório que leva sua dança para um nível mais elevado. Também, a vida nunca segue linear. Você talvez precisa dar três passos para trás para avançar quatro. Em qualquer caso, tudo é para um bem maior.  Se você tiver um revés, uma situação desconfortável ou embaraçosa – Pode parecer feio no momento, mas no final tudo é uma lição.  E lições nem sempre são fáceis. Algumas vezes temos que chegar no fundo do poço para perceber certas coisas. Se algo parece desagradável, mas podemos aprender com isso e depois deixá-lo ir, essa é uma lição profunda e de longo prazo.

7. Não leve nada muito a sério

E finalmente, nunca leve você ou situação muito a sério. ClaroAnd finally, do not take the situation or yourself too seriously. É claro que somos propensos a uma sensação de “cansaço do mundo” quando tudo parece estar flutuando incontrolavelmente no espaço. Mas se preocupar muda alguma coisa? No máximo vai tornar tudo pior. Então perceba que seu propósito como dançarino e ser humano é maior do que sua insegurança temporária.  Mesmo sabendo que a sensação não é essa, a vida ainda é um lindo presente. Se você for capaz de manter o máximo de energia positiva possível, tudo vai acabar se acertando cedo ou tarde.

FONTE: http://www.danceadvantage.net/phases-of-uncertainty-in-dance/

TRADUZIDO E ADAPTADO POR: Marcel Cortinovis.

Dançar? Prefiro ter minhas unhas arrancadas!

Eu NÃO estou a fim de dançar …

As pessoas se sentem sexys, apaixonadas, empoderadas e vivas quando dançam. Para algumas pessoas, a dança faz com que eles se sintam relaxados, contentes e inteiros, e para outras pessoas, o ato de dançar os aproxima de um estado de auto-realização, em completude espiritual e um estado de harmonia mente-corpo. Estes são os sortudos, aquelas pessoas tão sortudas para quem a dança melhora suas vidas.

Agora, vamos pensar nos outros. Aqueles outros para quem o ato de dançar, ou pensar em dançar, ou mesmo em assistir alguém dançando, faz com que eles se contorçam. Centenas de pessoas me disseram porque não dançam. E nem irão! Aqui estão os dois principais motivos pelos quais as pessoas não dançam.

Autoconsciência

 

Muitas pessoas, e especialmente os homens, me dizem que não dançam porque se sentem autoconscientes. Ser autoconsciente significa que são pessoas bem conscientes de si mesmas, e além disso, sentem que outras pessoas também estão cientes da presença deles e podem julgá-los negativamente. Isso se reflete em outras razões pelas quais as pessoas me deram para não dançarem.

Uma mulher de 30 anos escreveu: “Eu estou ciente de mim mesma e sinto que estou fazendo isso errado e que as pessoas vão reparar” e outras mulheres na faixa dos 50 escreveram “Eu não danço porque não sou muito boa nisso, e por isso tenho a sensação de que as pessoas estão me vendo e rindo de mim “.

Essa falta de confiança na “capacidade” de se mover livremente em público com a música claramente tem um efeito debilitante. Um homem em seus 30 anos de idade fez uma declaração surpreendente: “Eu acho que sou muito feio para dançar!” e vários outros homens expressaram sentimentos semelhantes (“Pareço um idiota”, “Me sinto estúpido” e “Pareço desengonçado … quando danço”) sobre o que ele acham de si mesmos quando dançam. Com tais percepções, não é surpreendente que algumas pessoas se afastem bastante da pista de dança e reajam negativamente à possibilidade da dançarem em público.

 

Relacionamentos

 

Uma das alegrias de ser pai é a oportunidade de dançar com seus filhos. No entanto, parece que dançar com os pais pode colocar algumas pessoas longe da dança pelo resto de suas vidas. Uma jovem adolescente me escreveu que seu motivo para não dançar é porque “eu tive que dançar com minha mãe uma vez e foi péssimo!”. Pobre mãe. Bem, pelo menos a mãe terá seu marido para dançar. Ou não… “Meu marido nunca dançou e estou muito velha agora para encontrar outro parceiro … embora já tenha perguntado!” Me escreveu uma mulher na faixa dos 60 anos.

Para alguns homens suas razões para dançarem parecem chegar ao seu coração (e para não dançarem também). Para eles, tudo gira em torno de encontrar uma companheira. “As únicas vezes que eu já dancei na vida eram para tentar pegar mulheres”, escreveu um homem no início dos seus 30 anos, e outro homem da mesma idade escreveu: “Não danço mais agora porque estou casado e com filho”.

 

Conclusão

 

Há algumas evidências científicas que sugerem que no começo nós dançamos a dois como parte de um cortejo de namoro e, além disso, a forma como dançamos em festas é influenciada pela nossa taxa hormonal e genética. De acordo com este ponto de vista, dançamos em parte para comunicar nossa “aptidão” genética para ser um parceiro ou parceira apta à reprodução, e sendo assim, pode haver razões reprodutivas, hormonais e genéticas pelas quais dançamos ou não dançamos.

Como sou um psicólogo que adora dançar, eu veja nas histórias das pessoas com seus baixos níveis de confiança e altos níveis de autoconhecimento o reflexo de pessoas muito emotivas. Quando as pessoas me dizem que querem dançar, mas não o fazem porque se sentem muito desajeitadas, estranhas, não qualificadas ou sem companhia, me convence da necessidade de reformular a dança a dois como uma atividade divertida e natural, onde não há intenções escondidas e sem risco de “fazer errado”. Quando você relaxa e dança de forma livre e natural, você expressa quem você é. O que pode ser “errado” sobre isso?

Fonte: https://www.psychologytoday.com/blog/dance-psychology/201003/dance-id-rather-have-my-fingernails-pulled-out

Tradução: Kiko Fernandes

A DANÇA A DOIS NÃO É SUA.

Esta é uma dança compartilhada. Não é SUA dança. Assim como uma conversa não é a sua palestra. Em qualquer dança a dois, existem dois conjuntos de habilidades físicas para aprender e dominar: habilidades de movimento pessoal e habilidades de movimento de parceria. Deixe a sua prática pessoal de habilidade de movimento para sessões em casa. Não ignore seu par para pensar somente em sua postura e desenrolar do pé.

Em uma dança social, concentre-se em praticar suas habilidades de movimento de parceria. Aqueles 3 minutos não são seus sozinhos. Você é metade de uma equipe, e seu parceiro merece toda a sua atenção, além de estar envolvido e contribuir para sua dança compartilhada.

Em uma competição, seu egoísmo pode estar te puxando pra trás quando se trata de juízes que avaliam o seu trabalho em equipe. Condutores, em vez de se concentrar em onde o seu corpo precisa estar para um determinado movimento, comece a perceber e assumir a responsabilidade para onde você quer que o corpo do seu par esteja. Ela não se importa tanto como você aparenta. Tudo que importa é como você a move.

dança a dois banner

Há uma palavra em inglês para quando alguém dança somente para sua própria diversão, sem consideração para a experiência do seu par de dança: é chamado “dance-turbation“.

Pense nisso. É desagradável, mas real. Não seja um “danceturbator”.

Fonte: http://www.canadianswingchampions.com/tough-love-read-at-your-own-risk/
Traduzido por: Nany Sene

Repetição ajuda o cérebro a se divertir ao tocar e dançar

Foram dez anos de treino formal no conservatório ao longo da minha infância e adolescência, e a cada ano eu passava nove meses tocando as mesmas duas ou três músicas ao piano.

Eu achava aquilo um saco. As professoras insistiam na repetição, e eu não entendia a razão, para mim era apenas mesmice.

Claro, quando chegava a audição no final do ano, a música saía muito melhor do que no começo. Mas devia haver um jeito melhor de ensinar e aprender.

Vinte e tantos anos de neurociência e um professor novo de violão depois, eu ouvi a frase que faltava.

Não bastava a repetição, mas ela é necessária e desejável, desde que seu propósito fique claro para o aluno como um meio de atingir um fim: transcender a repetição.

Nas palavras de Guilherme Lessa, “primeiro a gente tira as notas da música, para depois poder tirar música das notas”.

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A neurociência explica.

 

O aprendizado de procedimentos, sequências motoras que são, consiste no fortalecimento de conexões entre os neurônios que representam as diferentes ações, formando redes em que a ativação de um neurônio, um nó da rede, basta para trazer consigo a ativação dos seguintes, na ordem certa, no momento certo.

Enquanto essas redes não existem, é preciso que o córtex cerebral exerça um controle atento, selecionando e ativando os neurônios específicos a cada momento. Dá trabalho e não flui.

A repetição bem-sucedida, contudo, é o que permite que a rede vá se formando, envolvendo não só neurônios do córtex cerebral como nos núcleos da base também, encadeando os movimentos que tocam as notas da música.

Chegando a este ponto, as sequências ficam automatizadas, e o córtex pode, finalmente, dedicar sua atenção a outra coisa: brincar com as notas tirando delas a música que se almejava.

Uma vez que o cérebro já sabe fazer os dedos acharem as notas, é possível se dedicar à interpretação. Praticar transcende a repetição e passa a ser experimentação.

E divertimento, também. Descobri em Nashville as aulas de zumba no ginásio da universidade. Mas só gostamos de uma das professoras, e agora entendi por quê.

Quando eu já ia começar a reclamar que as coreografias são sempre iguais, me descobri dançando mentalmente nas filas do aeroporto.

Rachel faz mais do que ensinar os movimentos, ela dança a aula toda e, agora que já fiz aulas suficientes para aprender os movimentos, posso dançar também.

 

Texto de: Suzana Herculano-Houzel
Transcrito por: Lucas Esteves

 

5 motivos do porque professores são obcecados por básico

Químicos amam hidrogênio. Chefs amam manteiga. Professores da dança amam passos básicos.

Essa obsessão não é novidade, mas tem mais do que os olhos podem ver. Vamos ver o porquê de seu professor te fazer treinar tanto aquela marcação básica.

Por quê professores amam os passos básicos? Aqui vão 5 razões.

banner básico

1. É a base

Os básicos são como os blocos base de lego. Claro, as pessoas dizem isso o tempo todo, mas pense em lego no mundo real. Você não consegue construir nada sem os blocos base.

Regra: Seu professor enfatizará o básico para apoiar o material mais avançado que você aprenderá posteriormente.

2. Estilizar depende disso  

O primeiro lugar que você vai aprender a estilizar sua dança, adivinhe, é no movimento básico.

Regra: Você não vai aprender estilos avançados em movimentos avançados.

3. Habilidade Social

Quando se trata da dança social, é mais provável você se comunicar bem durante um movimento básico do que com movimentos novos.

Regra: Falar e respirar é mais fácil de fazer com o básico.

4. Dependência de conduzir e ser conduzido

Conduzir e ser conduzido depende, em grande parte, de comparações. É a versão dançante de uma degustação às cegas, e cada novo movimento que você quer conduzir ou seguir deve ser comparado ao básico primeiro.

Regra: Exercícios de comparação e contraste começam com o básico.

5. As regras.

Os passos básicos em cada dança te ensinam as regras básicas daquela dança. Independe de ser dois pra lá dois pra cá do forró, a caminhada do tango, ou a contagem de 6 e 8 tempos do West Coast Swing. Cada dança tem suas próprias regras, e esse livro de regras está escrito no básico.

Regra: As regras de cada dança estão escritas no básico.

Considerações finais.

Essa é uma obsessão saudável. De fato, se eles não forem obcecados, você pode acabar deixando de ser um dançarino. A abordagem oposta a essa é de passar quantos passos for possível. Esse frenesi por sequência de movimentos, vai em pouco tempo gerar alunos frustrados, sobrecarregados e sem substância real.

Você é um professor obcecado? Definitivamente.

É pelo motivo certo? PODE APOSTAR SEU TRIPLE STEP NISSO.

Fonte:http://www.arthurmurraylive.com/blog/10-reasons-why-ballroom-dance-teachers-obsess-over-basics
Tradução: Marcel Cortinovis

VOCÊ PRECISA ESTAR OK EM DANÇAR COMO UM IDIOTA.

Isso é, provavelmente, o que segura a gente boa parte da nossa vida, não apenas na dança mas em qualquer coisa que fazemos.

O medo mais irracional, que é forte o suficiente para nos paralisar nas nossas ações e nos impedir de alcançar o que nós queremos. Na verdade, esse medo é infundado e ridículo. Na prática é paralisante.

Eu estou falando sobre o MEDO DE QUE ESTEJA TODO MUNDO OLHANDO!!!!

Eu sinto que estou sendo observado.

 

A maioria das pessoas já sentiu isso, ou quando se está dançando, ou quando está fazendo algo público.

O medo de que todos em volta não estão apenas te observando mas também te julgando, essa sensação é forte o suficiente para nos impedir de fazer qualquer coisa que apresente um risco (real ou imaginário) de falhar.

Eu não vou tentar entrar na área da psicologia disso, mas se você está lendo isso você sabe exatamente o que eu  estou falando.

É o medo que me faz congelar, na minha primeira noite em uma casa de dança, e me impede de chamar qualquer outra pessoa além da minha namorada para dançar (até praticamente a última música da noite e eu só fui dançar com um estranho os últimos 30s da música… sim, sem medo nenhum!).

É o medo que toma conta da gente a primeira vez que vamos cantar no karaokê e esse mesmo medo que força muitas pessoas a recorrer à “coragem holandesa” em situações sociais.

{Obs: Coragem holandesa é a falsa coragem produzida pelo álcool}

É um medo fútil que faz um grande desserviço para o empenho da sociedade!  (Me deem um Amém!)

Aprenda a dançar como se ninguém estivesse olhando.

 

Então como em nome de Endauã* nós vamos superar esse medo paralisante e nos tornarmos o melhor dançarino que estamos destinados a ser??

Nós todos ouvimos um milhão de vezes:”dance como se ninguém estivesse olhando”.

É uma daquelas frases motivacionais estúpidas que deveria nos ajudar a nos libertarmos desse medo auto-imposto…blah, blah, blah!

Entretanto, para o propósito desse post eu acho que serve.

Se nós aprendêssemos a dançar como se ninguém estivesse olhando, nós poderíamos finalmente relaxar, liberar nossos movimentos e realmente começar a curtir as complexidades da música que nos move.

dança idiota banner

Nós precisamos desse senso de liberdade para dançar bem!

Eu tenho certeza que você está pensando em algo como: “ Mas todo mundo ESTÁ me  olhando enquanto eu estou dançando, esperando que eu erre para que eles possam apontar e rir do meu erro, me obrigando a fugir da pista de dança, esconder minhas lágrimas com as mãos e depois me mudar para uma pequena cidade no meio do nada, em um  continente diferente, para que eu possa começar minha nova vida, para que eu nunca cometa o mesmo erro de dançar em público de novo“… É exatamente o que está pensando certo!?

Bem não tenha medo, caros colegas da dança, pois eu mais uma vez tenho a solução que todos nós precisamos.

Chegue perto… o segredo para aprender a dançar como se ninguém estivesse olhando… é dançar QUANDO ninguém estiver olhando!

A inspiração para este conselho genial veio até mim uma noite quando coloquei uma música e decidi treinar alguns passos que vi na última aula.

Então eu dancei… sozinho… na minha sala… na frente de uma plateia de ninguém! E EU PARECIA UM IDIOTA COMPLETO! E isso era exatamente o que eu precisava.

Quando você se livra genuinamente da ansiedade de ser julgado pelos outros, você passa a não se importar com o quão idiota você parece.

Você se solta e a mágica passa acontecer!

Você pode praticar os movimentos que nunca sonharia em tentar na pista de dança por medo de errar.

Você pode ouvir a música sem a preocupação de conduzir ou ser conduzido por um parceiro e apreciar como as coisas mudam.

Você pode relaxar esses músculos que automaticamente travam em público.

Esse novo e relaxado você agora pode praticar diferentes movimentações corporais, ou apenas treinar o passo básico enquanto curte a música, reagindo a isso de maneira orgânica ao invés de se mover como um robô enferrujado e desajustado.

Enquanto escrevia esse post eu realmente me levantei algumas vezes, quando uma música que eu gostava começava a tocar, e apenas dançava.

Eu perdi a conta de quantas vezes eu perdi a batida (ou equilíbrio) mas isso não importava. NINGUÉM ESTAVA OLHANDO!

E aqui está a beleza de dançar como um idiota quando ninguém está olhando.

Se você fizer isso de maneira regular, você vai começar a melhorar e eventualmente ser capaz de fazer em público.

Você vai começar a se sentir mais confortável com você e como você se move e isso vai se transformar em confiança na pista de dança.

Não tem nada mais sexy do que confiança.

Minha única ressalva para esse exercício é que você tente fazer isso em frente ao espelho para que você possa garantir que o movimento que você está treinando não esteja totalmente…ridículo.

Então aqui está seu dever de casa: tranque a porta, ponha sua playlist favorita (quanto mais marcada a música melhor), ache um novo vídeo dos seus dançarinos favoritos para um pouco de inspiração e comece a se mover.

A música vai te mostrar o que você tem que fazer!

Continuem dançando!

NT.: * Endauã é uma entidade religiosa inventada em uma aula de wcs, remetendo ao “and a one” da contagem dos professores.

 

Fonte: http://latindancecommunity.com/you-need-to-be-ok-with-dancing-like-an-idiot/

 

Traduzido por: Marcel Cortinovis

A musicalidade não existe

Isso é algo que me incomoda há um bom tempo, e agora eu finalmente coloquei os pensamentos em ordem para conseguir escrever sobre isso. Esse artigo é sobre musicalidade.

Musicalidade BannerA musicalidade não existe. Ela só existe na mente de alguns. A faísca que me fez começar a questionar o conceito de musicalidade foi perceber que toda vez que eu discutia sobre musicalidade com outro dançarino a gente terminava tendo que definir alguns termos. Além disso, todo mundo que eu converso tem uma definição completamente diferente do que significa musicalidade. São indícios suficientes para me deixar com uma pulga atrás da orelha. Se não conseguimos concordar no que é musicalidade, como alguém pode afirmar que isso existe?

Quando eu converso com outros dançarinos sobre musicalidade, apesar da falta de definição, alguns tópicos recorrem. Ideias que são comumente referenciadas à musicalidade são:

  • Conectar-se à música
  • Ter um relacionamento com a música
  • Mover-se no ritmo da música
  • Sentir a música
  • Acentuar ou pegar as pausas
  • Dançar a música com sentimento
  • Refletir a vibe da música
  • Contar uma história através da música
  • Dançar seguindo um instrumento específico, ou a voz

É justo afirmar que a maioria dessas ideias é verdadeira, se não todas, além do que elas não são mutualmente exclusivas. Entretanto, comecei a pensar: “esses conceitos não representam exatamente o que é dançar?”, ou seja, se você não faz essas coisas, você realmente está dançando? Quer dizer, isso é a dança!

Aí que me ocorreu que a ideia de musicalidade só existe porque, para algumas pessoas, dançar se tornou executar alguns passos ou movimentos com técnica. Na forma que a dança é ensinada hoje em dia, é como se a musicalidade (ou música) fosse separada da parte física da dança, processada e depois adicionada novamente, após a parte física. É como um pão com fibras adicionais. Soa saudável, mas não é. Você não pode remover nutrientes da comida, processá-los e adicionar novamente esperando que a qualidade da comida se mantenha a mesma. Da mesma forma, é impossível remover a musicalidade (ou música) da dança, processá-la, adicionar novamente depois e esperar que a qualidade da dança não seja afetada.

Na minha opinião, isso só acontece porque a forma como a dança é ensinada foi corrompida fazendo com que as pessoas da indústria da dança perpetuasse conceitos como a musicalidade. Dançar na música não é opcional. Não é um módulo ou uma classe que você se inscreve como parte de uma qualificação, depois que você termina Dança 1, Dança 2 e Dança 3. Faz parte da dança. É a dança. Se você dança sem perceber a música, você não está dançando. Musicalidade é dançar, e dançar é musicalidade. Não há separação entre dança e música. Qualquer conceito diferente disso é pura ilusão.

A segunda provocação que quero fazer aqui é que musicalidade não pode ser ensinada. Mesmo que você acredite que a musicalidade realmente exista. Eu não acredito que possa ser ensinada. Entretanto, eu acredito que a musicalidade (ou música) pode ser aprendida. “Como algo que não pode ser ensinado, pode ser aprendido?”. Eu acredito que a expressão dessas ideias, sentimentos e emoções que a música traz podem ser aprendidas (ou talvez descobertas fosse uma palavra mais apropriada), mas eu não acredito que qualquer professor possa ensinar musicalidade para uma pessoa. Expressão musical é uma experiência pessoal extremamente subjetiva. O máximo que um professor pode fazer é expor seus alunos a várias possibilidades e prover um canal através do qual eles acessem essas ideias, sentimentos e emoções. Entretanto, a verdadeira expressão, e o caminho do aprendizado, só pode ser percorrido pela própria pessoa. Um excelente professor abre a porta, mas a pessoa precisa atravessá-la por si só.

Mas o que os professores podem fazer sobre isso? Apesar de eu achar que não é possível ensinar musicalidade, eu definitivamente acredito que é possível ensinar sobre música. Afinal de contas, a palavra mais importante em musicalidade, é música. Já escutei alguns professores dizerem que é impossível ensinar sobre música a iniciantes, pois eles não iriam entender. Frequentemente eu observo que as aulas de musicalidade são focadas em dançarinos mais avançados. Algumas pessoas acreditam que iniciantes não conseguem entender ou apreciar a música, ou que eles ficarão entediados. Eu acho que isso é menosprezar a capacidade das pessoas. Eu acredito que, mesmo sem nenhuma formação musical, se a pessoa consegue contar até 4, bater palmas e murmurar um som básico, ela é capaz de aprender a apreciar a música em um nível bem sofisticado. E poucas pessoas que eu conheço não têm essas habilidades. Se um aluno demonstra inabilidade para aprender sobre música, eu acredito que isso reflete mais o conhecimento e habilidade do professor do que do aluno.

Mas o que os professores de dança podem fazer para o aprendizado da música fazer parte de suas aulas? Seguem algumas ideias:

  • Quando você tocar uma música na aula, mencione o nome da música e do artista e faça algum comentário do que você acha que chama a atenção nessa música. Demora cerca de 10 segundos, não tem desculpa para não fazê-lo. Isso fará com que os alunos se familiarizem com artistas e músicas e se animem para pesquisar e identificar as músicas que eles mais gostam.
  • Durante o aquecimento, ou quando você estiver demonstrando alguma técnica para os alunos, não passe reto nas quebras. Tente honrar a música de alguma forma, mesmo que isso significa desviar levemente da ideia original do passo que está ensinando. Os alunos terão a oportunidade de ver, logo de cara, como é um dançarino avançado brincando com a música, ao invés de apenas passos. Eu acredito que essa abordagem de “aprendendo por osmose” nunca é demais.
  • Se você está ensinando um passo, no final da aula, demonstre esse passo primeiro na contagem e depois na música com paixão para que os alunos possam ver a diferença entre se mover na contagem e realmente dançar na música. Você pode adicionar também algumas variações e improvisos no final para inspirar e expor os alunos a mais possibilidades. Eu adoro quando professores fazem isso e gostaria que mais deles o fizessem.
  • A cada semana, incentive um aluno a trazer um música que ele gosta e toque-a ao final da aula. Peça para esse aluno fazer uma descrição breve de porquê ele gosta daquela música e o que ela significa pra ele.
  • Informe seus alunos quando algum artista interessante estiver fazendo show na cidade. Você pode até organizar um grupo para ir assistir.
  • Se você faz resumo no final da aula, pergunte aos alunos o que você disse a eles no começo da aula. Ou seja, qual o nome da música e do artista que você citou? Novamente só tomará alguns segundos, mas após algumas semanas isso estará presente na mente deles, criando um costume de apreciar a música.

Tente fazer a interpretação musical e apreciação pela música parte de cada aula, do iniciante até os treinos mais avançados. Não precisa ser uma palestra de uma hora. Alguns exercícios que duram poucos segundos, mas, no geral, farão uma grande diferença em como os alunos se relacionam com a música.

E o que você pode fazer, como aluno, para aprender mais sobre música? Existem diversas coisas que você pode fazer. Seguem algumas ideias:

  • Pegue algumas músicas que você gosta muito e analise-as profundamente
  • Pesquise sobre diferentes artistas e aprenda um pouco sobre sua cultura, de onde eles vieram e por qual processo passaram para criar as músicas que você gosta
  • Preste atenção nas letras, traduza-as se necessário, para entender mais profundamente do que se trata cada música
  • Escute ativamente a mesma música diversas vezes e tente isolar os instrumentos e a voz
  • Amplie seu gosto musical ouvindo algo diferente do que você está acostumado, como pop, sertanejo, rock, funk, samba, bachata, forró e etc
  • Vá a shows. Você pode aprender muita coisa sobre música só de ver alguém se apresentando ao vivo
  • Converse com músicos locais. Muitos deles ficarão extremamente felizes de conversar com você, por horas, sobre a música deles, normalmente ninguém pergunta isso pra eles.
  • Participe de um coral
  • Aprenda a tocar um instrumento. Eu descobri que violão é relativamente fácil para iniciantes e você pode comprar um usado em bom estado por menos de R$100. Existe uma infinidade de aulas gratuitas online. Você pode aprender a tocar suas músicas favoritas usando apenas alguns acordes. Nada vai te ensinar mais sobre música do que aprender a tocar algum instrumento.

Todas essas sugestões podem te ajudar a apreciar melhor a música. Perceba que nenhuma dessas ideias envolve fazer aula de dança ou de musicalidade e são extremamente baratas.

Em resumo, eu sugiro que você esqueça a musicalidade. Assuma que musicalidade não exista. Só existe a música. Tente focar em fazer a música ser parte da sua dança toda vez que você for dançar e veja a diferença que isso faz.

Fonte: http://latindancecommunity.com/the-musicality-myth/
Tradução: Lucas Esteves

 

Enviesando a dança social

Eu acho ótimo como muitas comunidades de dança focam nas bases técnicas dos movimentos. É algo pelo qual os dançarinos avançados são apaixonados e com as mídias sociais sua importância se tornou mais proeminente. As comunidades de dança estão crescendo e se expandindo. Alguns alunos fazem diversas turmas por semana, outros investem milhares de dinheiros em aulas particulares.

Mas, será que não estamos dando um foco enviesado aos dançarinos sociais?

Definindo Foco Enviesado

Para o propósito desse artigo, foco enviesado é sobre enfatizar demais uma faceta da dança em troca de deixar outras, igualmente importantes, de lado.

Por exemplo, se você treinar dança por 200 horas e 199 delas você utiliza apenas para treinos técnicos, provavelmente você está com o foco enviesado. Mas se você treinar 2000 horas dividindo-as de forma equilibrada entre técnica, expressão, cultura e sabor, não consideraremos foco enviesado

Basicamente, é uma educação desbalanceada que foca apenas em uma área (normalmente técnica ou passos), enquanto negligencia outras facetas importantes da dança.

Esquecendo as raízes

Diversos estilos de dança social têm suas raízes na dança de rua. Isso significa que existe uma cultura, uma vibe, e um sabor por trás, associados a essa dança. As pessoas esquecem esse sabor em sua busca incessante pela perfeição técnica. Eles possuem um foco enviesado na técnica, e falta de foco na cultura da dança.

Esse sabor é a essência da dança e deveria servir para instruir os movimentos e gerar uma sensação de parceria na dança.

Atualmente, nas aulas de danças sociais, conceitos como o sabor são, normalmente, negligenciados ao passo que técnicas e passos estão sempre em foco. Enquanto os viciados em passos são criticados por seu claro foco enviesado, os viciados em técnicas são reverenciados como o nível mais alto de dedicação em dança.

Mas, se esses dançarinos não perceberem o sabor como um componente central da técnica de dança, eles terão uma dança incompleta, faltando uma parte essencial.

Muitas vezes eu vejo dançarinos considerando o sabor como um componente opcional da dança, como estilo, por exemplo. Em contrapartida, eles colocam as técnicas como pilar do seu conhecimento. Afinal, a forma que você move seu corpo no espaço e como você participa do relacionamento de perguntas e respostas que são as conduções e reações definem sua dança, ao invés de sabor e cultura.

Alguns dançarinos com foco enviesado para técnica confundem conexão com sabor. Eles dizem que o sabor é a sensação que você cria quando se conecta com seu parceiro da forma correta e trabalham por anos a fio sua técnica de como mover seu parceiro de forma perfeita, mas falham em desenvolver uma expressão mais profunda que realmente é ligada ao sabor da dança.

O resultado é uma dança tecnicamente incrível mas estéril.

Se você não consegue identificar o que está faltando, mas você sente que está faltando algo no seu parceiro, essa pessoa pode ser alguém com foco enviesado tecnicamente. Por exemplo, se os movimentos são complexos e interessantes, sua sensação é boa e estão encaixando na música, mas você tem aquela sensação que falta algo a mais, você deve estar dançando com uma dessas pessoas.

dança social

Foco enviesado na técnica em outras artes

Um dançarino com foco enviesado em técnica é o equivalente da dança a um artista que produz desenhos extremamente técnicos. Sim, eles são oficialmente excelentes desenhos, mas não tem arte neles. Não há nada de errado com o desenho, mas raramente é o tipo de quadro que você pendurará na sua parede. Não é arte!

Em contrapartida, um artista é aquele que, geralmente, tem um alto nível de sabor e proficiência técnica. Você pode gostar ou não, mas o sabor existe. Dependendo do estilo do artista, o sabor pode ter diferentes características, como cores vibrantes, linhas bem definidas ou uma realidade chamativa.

Isso é similar ao contraste entre dançarinos com foco enviesado na técnica e dançarinos com foco bem distribuído.

Perceba que isso é diferente de um amador que simplesmente joga um monte de tinta em uma tela branca porque ele “se sente assim” e está “se expressando”. Artistas de verdade tem uma base sólida de técnica e conhecimento sobre as cores e usam isso para poder quebrar as regras eventualmente. É por isso que aprender e treinar é tão importante… mas isso deveria ser feito de forma balanceada junto com expressão pessoal e sabor.

O relacionamento entre Erros e Sabor

O sabor é mais evidente quando as pessoas tentam algo diferente. Para dançarinos com foco enviesado, esses desvios são frequentemente vistos como erros uma vez que eles, muitas vezes, vão de encontro com a técnica da dança.

Já os dançarinos que são apenas orientados ao sabor passam pela situação oposta. Eles pensam na técnica como um sufocamento do sabor. Acham que a técnica neutraliza sua liberdade de expressão.

Nenhum dos dois é verdade.

Os melhores dançarinos são aqueles que conseguem equilibrar tanto a técnica quanto o sabor. Eles valorizam o equilíbrio do treino técnico com uma ênfase em desenvolver o sabor e a expressão. Eles aprendem a quebrar as regras sem prejudicar a dança ou colocar o parceiro em risco.

Esse é o motivo porque algumas danças são tão sensacionais de se assistir. Sem o sabor para se mover fora da técnica pré-definida, todos os dançarinos dançariam igual (ou muito parecido). Não existiria a sensação pessoal de dançar. Não existiriam passos com a cara de uma pessoa. Não haveria evolução. A dança seria apenas estática e chata. Seria uma execução técnica, ao invés de uma forma de arte.

Basicamente, eu resumo os três estados possíveis de uma dança assim:

  • Sabor + Sem Técnica = Perigoso; Dança suja
  • Técnica + Sem Sabor = Estéril; Dança básica
  • Técnica + Sabor = Beleza; Dança expressiva

Rua vs Academia

Normalmente quanto mais “rua” a dança é, mais sabor ela tem. Inversamente, quanto mais “academia” a dança é, mais ela valoriza a técnica. Mas eu não acho que esses elementos tem que ser excludentes.

Quando nossa dança social se torna mais acadêmica, precisamos ter o cuidado de preservar o sabor. Precisamos manter o sabor (que as vezes é chamado de expressão, vibe ou sentimento) da nossa dança como uma parte importante do nosso aprendizado. As academias devem ensinar aos alunos como improvisar, criar e se doar à dança.

Ou seja, encorajar a expressão criando aulas onde a mente seja direcionada para o sabor e não fique esterilizada. Nós precisamos criar ambientes que fomentem a expressão pessoal e o sabor de forma alinhada com a cultura da dança.

Se valorizarmos expressão em aulas de academia, os alunos colocarão mais ênfase em desenvolver seu próprio sabor, ao invés de apenas técnica. Da mesma forma, dançarinos mais orientados ao sabor começarão a frequentar mais aulas (melhorando assim sua parte técnica) pois sentirão que finalmente terão espaço para sua voz interior crescer, ao invés de ser silenciada.

Precisamos criar um aprendizado equilibrado que valorize tanto técnica quanto o sabor.

Necessitamos de um aprendizado completo da dança, ao invés de um foco enviesado em técnica ou passos.

Fonte: http://www.danceplace.com/grapevine/the-overeducation-of-social-dancers/
Tradução: Lucas Esteves