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Como aprender ‘Conexão’ ( Para quem tem dificuldade)

Escrito por :  LAURA RIVA – Link Original: Clique aqui


A conexão é uma parte tão integral da nossa dança, mas é muito difícil de entender para a grande maioria das pessoas. Na minha experiência com alunos, eles normalmente caem nessas duas categorias:

    1. Aqueles que já entendem desse assunto – seja por dom natural ou por estudo.
    2. Aqueles que não conseguem.

Está OK estar em ambas as categorias. Algumas pessoas caem na primeira categoria, mas nunca aprendem a técnica ou não tem a disciplina para desenvolver uma boa técnica. Alguns se tornam dançarinos com uma técnica muito boa sem sequer aprender a habilidade da verdadeira conexão – mas mantenha em mente que se você recusar explorar essas habilidades, vai ter sempre algo faltando na sua dança.

Independente de qual categoria você comece, você pode aprender conexão. Até mesmo a pessoa mais tímida e reservada pode aprender a ser um dançarino com uma ótima conexão. Existe um entendimento muito errado na dança que ou você sabe ou não. Isso NÃO é verdade

Como você aprende uma habilidade interpessoal como conexão?

O maior obstáculo com habilidades interpessoais é que os professores frequentemente têm problemas para ensiná-los. Ensinar as pessoas a sentir e interagir entre si é muito mais difícil do que ensinar um passo técnico. Por quê? Há algumas razões:

  1. Habilidades técnicas são observáveis; habilidades interpessoais são sensação.
  2. Habilidades técnicas podem ser replicadas com parâmetros precisos; Habilidades interpessoais são diferentes em cada pessoa.
  3. Habilidades Técnicas usam mais pensamento lógico; Habilidades interpessoais requerem um entendimento das emoções.
  4. Habilidade Técnica não requer ficar confortável com outra pessoa; Habilidades interpessoais, requerem ficar vulnerável.

Tem mais, mas essas são aquelas que surgem com mais frequência na minha mente

No nível de professor

A maioria dos professores que realmente se conectam, o fazem através da emoção, e muitos acham difícil de verbalizar ou descrever o que está acontecendo na sua dança, que faz com que  seu par  se sinta tão bem. É dai que vem a propensão dos professores dizerem, “apenas sinta”.Como alguém pode ‘apenas sentir’ alguma coisa que eles nunca sentiram? Spoiler: Normalmente eles não conseguem.

Os professores podem tentar desenhar sua ideia de ‘sentimento’, do que funciona no corpo deles com seus parceiros. O problema com essa abordagem é que cada corpo é diferente. O que pode ser bom vindo de um dançarino pode ser estranho vindo de outro. É como esperar que uma camiseta sirva para todo mundo: Isso Não funciona

Seguidores altos que dançam danças de abraço fechado são um bom exemplo disso. Eu conheci seguidores com 1,80 de altura que foram ensinadas a manter conexão de testa com testa – mesmo quando o líder tinha 1,70. Simplesmente não funciona. Com a intenção de buscar a conexão, o seguidor é ‘forçado’ a curvar e torcer a parte superior do corpo, ou dolorosamente dobrar os joelhos para obter uma conexão. E por consequência esse desconforto afeta na postura e liderança dele.

No entanto, se o mesmo seguidor, receber uma instrução para estabelecer uma conexão direta com a parte de seu corpo que faz mais sentido para a sua altura, isso permitirá que ele se mantenha postado e fique confortável. Como uma menina alta, eu ocasionalmente tive uma conexão de queixo-a-testa (parece engraçado, mas funciona e não se sente engraçado) com algumas líderes pequenos isso funciona muito melhor.

Os professores que são fortes no ensino de habilidades interpessoais como conexão empregam diferentes estratégias. Não consigo falar de todas as estratégias de sucesso, já que nunca consegui entender todos os métodos utilizados por cada professor que teve sucesso em ensinar conexão a um aluno… vou explicar o que funcionou para mim.

O que funcionou (na minha experiência) para ensinar conexão

Um espaço seguro

A primeira coisa que eu vi que deve acontecer quando for ensinar conexão é a criação de um “espaço seguro”. Se houver um momento em que coisas estranhas aconteçam, é durante uma aula de conexão. Se não houver um espaço, onde todos os participantes possam se sentir seguros para errar, eles não aprenderão arriscar nessa área.

Isso pode ser tão simples como se juntar com um amigo para trabalhar a conexão, ou tão complexo como um grande grupo de pessoas que estão todas confortáveis umas com as outras. A suposição em um espaço seguro é de que todos estão tentando o seu melhor para aprender a se conectar.

… o que significa que haverá momentos estranhos. Algumas pessoas podem acabar com seu quadril muito a frente, o que geralmente é um sentimento desconfortável. Alguns podem se sentir muito apertados ou muito soltos. Alguns podem mover seus corpos demais de maneiras desconfortáveis ou sentir-se agressivos. Isso faz parte do processo de aprendizagem para muitas pessoas e nos leva ao ponto 2…

Feedback

Haverá alguns momentos estranhos ao aprender a se conectar. Para corrigir isso, sempre é necessário um feedback. O feedback pode ser “Eu sinto que seus quadris estão me empurrando demais” ou “Sinto que o seu abraço está muito apertado”. Também pode ser “Mantenha seus cotovelos para cima, eu não me sinto com postura” ou “Preciso que você me abrace mais”.

Se alguém não é “natural” na conexão, o idioma do corpo geralmente não é um feedback útil – a menos que o idioma do corpo seja pré-definido. Se você disser ao seu parceiro que uma sugestão física específica é um sinal de desconforto, eles geralmente poderão entender isso. Por exemplo, um seguidor que não se sente seguro com um mergulho pode acabar se segurando com força. Um líder que não se sente confortável com um abraço muito fechado pode tentar criar mais espaço, movendo-se para abrir o abraço. Exemplos concretos como este podem ajudar a ensinar a conexão e a reconhecer quando algo está errado.

Se você é alguém que está  tendo dificuldade com habilidades interpessoais, às vezes ajuda  se em práticas ou aulas você pedir ao seu parceiro para lhe dizer se há hábitos de conexão que os deixam desconfortáveis – desde que esteja aberto ao feedback. Mesmo que eles não saibam exatamente o que é, eles serão capazes de articular se eles estavam ou não confortáveis com sua conexão. Ele também lhe dá feedback para tirar dúvidas com seus professores.

E sobre ser “Estranho” ou “Dar a Ideia errada”?

Uma verdade sobre as pessoas que estão aprendendo a se conectar é que eles podem passar por uma fase “assustadora / estranha” – não confundir isso com pessoas realmente assustadoras/estranhas que estão usando a dança como uma desculpa para comportamentos menos decorosos. Esta é também uma grande razão que muitas pessoas não se esforçam para aprender a se conectar – eles não querem se tornar uma pessoa “Inconveniente”. As vezes, eles podem estar preocupados em conectar “muito bem” e dar uma ideia errada. Mas este conselho ainda se aplica.

Se você é uma dessas pessoas (ou pensa que pode se tornar um), sugiro trabalhar primeiro com amigos próximos e professores – e pedir seu feedback verbal. É bom passar pela fase de “fase assustadora / estranha / errada” em sua tentativa de aprender a se conectar – contanto que as pessoas com quem está praticando tenham compreensão e estejam dispostas a trabalhar com você através dessas coisas. Eu não recomendaria praticar isso com pessoas que você não conhece bem ou que podem estar desconfortáveis com seu comportamento. Conexão e habilidades interpessoais são conceitos muito sensíveis, por isso é necessário que ambas as partes compreendam a necessidade de ser delicadas umas às outras e mantenham uma mente aberta em direção ao objetivo final.

Desacelerando e mantendo simples

Você pratica meditação ou ioga? Trabalhar com conexão é chato pra você?

Então esta seção é para você. A meditação e a ioga têm muitas coisas em comum com a conexão. A respiração, a paciência e a “profundidade” em si são partes intrínsecas dessas práticas. Aprender a tomar seu tempo e  aprofundar a consciência de todo o corpo é fundamental – e na conexão, esse mesmo sentimento se estende para envolver o seu parceiro.

Muitas pessoas que têm problemas com a conexão procuram acelerar as coisas “chatas” para chegar ao material “divertido” … mas as pessoas que entendem a conexão sabem que não é chato, apenas difícil de conseguir ‘chegar lá’ às vezes. Para aprender conexão, às vezes você precisa se livrar de tudo – e muitas vezes por um longo tempo. Se você não consegue sentir uma conexão quando você está simplesmente balançando para frente e para trás, como você descobrirá conexão durante momentos complexos?

Construa a partir de uma base. Não tenha pressa. Comece com o movimento de base mais simples que você pode pensar, e SOMENTE FAÇA ISSO até que você possa manter a conexão o tempo todo. Se você perder a sensação, reinicie. Pode ser frustrante, mas o retorno de estar disposto a trabalhar com a parte ‘chata’ é que você abrirá uma nova dimensão para todos os aspectos da sua dança.

Vulnerabilidade e confiança

Este é o mais difícil…

A conexão requer vulnerabilidade e confiança. Isso não significa que você precisa ser vulnerável e confiar nessa pessoa o tempo todo, mas você precisa estar durante a dança. Se você não consegue encontrar isso em você para compartilhar com seu parceiro, então eles raramente a compartilharão com você.

Abraços podem ajudar com isso. Ficar confortável com o toque também (claro, não sendo um toque inadequado). Ser confortável mantendo o contato com um braço, um pulso ou mesmo às vezes um pescoço ou uma parte traseira nos abre para a conexão.

Também é tão importante para o lado que está sendo tocado, aceitar e se mover para a conexão. Se você receber conexão movendo-se em direção ao contato, você abre as possibilidades de se sentir mais em sincronia com seu parceiro. Se você receber um toque com rigidez ou medo, então você irá dissolver a conexão.

Liderando pessoas para o seu próprio caminho de conexão

A conexão perfeita é diferente para cada pessoa. É mais construtivo desenvolver seu próprio ‘kit de ferramentas’ para conectar do que tentar usar a do outro. Da mesma forma que algumas pessoas tem um talento natural para o humor, outros são excelentes na conversa profunda e intelectual. Mas, se o intelectual tentar ser o palhaço da classe, pode ficar estranho. O mesmo acontece com a conexão.

Perguntar aos dançarinos para desconstruir o que funciona e fazer com que tentem encontrar seus próprios modos de realizar o mesmo fim é uma boa maneira de melhorar sua capacidade de se conectar e encontrar o que funciona para o seu corpo e de seus parceiros – desde que seja combinado com feedback. .

No fim

É perfeitamente possível aprender a se conectar – mesmo que seja uma coisa nada natural para você. Mas, você precisa querer isso, e você precisa se cercar com pelo menos uma pessoa que esteja disposta a seguir a jornada para uma melhor conexão com você. A conexão é intensamente interpessoal, o que significa que ambos os parceiros precisam estar dispostos para que alguém aprenda. Além disso, como uma arena não visual, não-técnica, a comunicação verbal é necessária para entender e aprender comportamentos adequados para conexão.

É correto passar por estranheza – ou mesmo por insinuação involuntária – na jornada de conexão … mas sempre assegure-se de ter um grupo ou parceiro ou (professor) simpático e compreensivo . Prepare-se para estar aberto ao feedback e  comunicação verbal, certifique-se de que você aprendeu a dividir uma crítica da sua conexão de quem você é como pessoa.

Não importa quem você é, você PODE aprender a ser um excelente dançarino de habilidades interpessoais. Você pode aprender a dar o sentimento de “uau, que sensação tão boa” aos seus parceiros. Pode ser uma jornada mais longa, mas não está além da sua capacidade.

FONTE: http://www.danceplace.com/grapevine/how-to-learn-connection-for-those-who-dont-get-it-right-away/
TRADUZIDO E ADAPTADO POR: Marcel Souza.