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Quer dançar? Então vamos transar!

Nós tivemos uma conexão incrível e eu me senti segura nos braços dele enquanto dançávamos, ríamos e criávamos juntos uma sensação indescritível. Nós dançamos por praticamente uma hora e meia juntos e eu me senti muito viva e feliz quando terminamos. No dia seguinte tivemos danças muito similares por quase uma hora, brincando e nos divertindo. Ele me desafiava mas nunca me fez sentir mal por algum erro, ao contrário, nós ríamos juntos e apenas nos expressávamos na música. No dia seguinte veio a pergunta. Ou melhor, a vontade verbalizada: “Eu quero você”. Eu disse que queria continuar apenas como amigos. E depois disso nós nunca mais dançamos.

Infelizmente essa é uma realidade diária no nosso mundo, e no último evento que fui esse ano estava muito claro. Existia uma atmosfera sexual não usual pelo lugar, e não me entenda mal, eu entendo que o sexo faz parte da dança e isso não é uma coisa ruim, vá, explore e divirta-se, mas quando é isso que determina quem é você na dança, não é algo legal.

Além disso, é algo que está sendo usado na procura de um parceiro de dança, pelo que tenho percebido. Tenho recebido convites para virar parceira de dança ou de aula de outras pessoas com uma expectativa bem explícita de que eu durma com eles. Porque “a conexão é tão melhor depois que você faz sexo com a pessoa”. Pode ser, ou pode não ser também. Eu não sei. Mas eu sei que é uma forma grosseira de expressar uma noção extremamente antiquada de que o homem possui o corpo da mulher. Ou seja, durma com seu parceiro se você quiser, mas não use isso como um pré-requisito na construção de uma parceria ou na hora de escolher um assistente para sua aula. Se acontecer, deve acontecer de forma orgânica, natural, mas deixar claro em palavras como expectativa de que aconteça, não é legal. Só para deixar claro, as pessoas que eu dei aula ou pratiquei junto até hoje nunca me pediram isso, e são amigos meus extremamente respeitosos.

Eu quero enfatizar que esse problema não necessariamente representa toda a comunidade ou eventos, mas nesse último evento que eu fui eu tive a sensação que vários caras estavam com apenas um pensamento, e, novamente, não é que o sexo seja um problema, o problema é usá-lo contra você na condição de uma dança. É quando você deixa de ser tirada para dançar porque seus sinais são muito claros de que você não quer nada além de dançar. E para os caras que estão pensando “ah, mas as mulheres também procuram parceiros para sexo na dança”, sim eu entendo. Mas eu raramente escuto alguma dizer que parou de dançar com um cara porque ele não quer fazer sexo com ela.

O cara que deixou de dançar comigo porque eu disse “não, obrigada” inclusive parou de conversar comigo também, o que me fez sentir mal para ser honesta. Não só porque nós éramos amigos e conversávamos bastante mas porque claramente nós tínhamos uma boa conexão e nos divertíamos enquanto dançávamos. E do nada isso se foi. Talvez isso mude na próxima vez que a gente se encontrar, quem sabe.

De qualquer forma, os eventos são incríveis por diversos motivos, como o descanso na praia, as danças nos bailes todas as noites, minha melhor amiga sempre ao meu lado. E eu não me canso de falar que tem cavalheiros incríveis e muito respeitosos também. Eu sempre tenho danças de tirar o fôlego com alguns deles. A questão é saber separar uma boa conexão da dança de uma tensão sexual recíproca.

 

FONTE: http://annathefringe.com/2017/07/09/wanna-dance-lets-fuck-then/
TRADUZIDO E ADAPTADO POR: Lucas Esteves

Jack n’ Jills: As pessoas merecem melhor “sorte”?

Eu lembro da minha primeira competição de Jack n’ Jill. Estava competindo na categoria Newcomer, mas eu tinha alguns bons anos de experiência de dança antes do WCS. Então, eu tinha uma “vantagem” sob as outras pessoas na mesma categoria.

Acabei indo para a final e cai com um senhorzinho extremamente simpático. Ele estava muito nervoso. Nós competimos e, se me lembro bem, acho que ficamos em quinto lugar. Nada mal.

Então, depois que saíram os resultados, ele veio até mim e pediu desculpas por ter caído comigo na competição. Eu não lembro exatamente as palavras dele, mas era algo na linha de “você merecia um parceiro melhor, teria pegado uma colocação mais alta”.

Eu me senti tão mal quando ele falou isso. Ele tinha um entendimento que, de alguma forma, ele estava me impedindo de pegar a colocação que “eu realmente merecia” na categoria.

A questão é: não era a “colocação que eu realmente merecia”. Eu estava perfeitamente satisfeita com nosso quinto lugar. As pessoas nos primeiros lugares mereceram estar lá.

Mesmo que houvesse uma diferença entre os níveis dos cavalheiros e das damas (tinha um número muito maior de damas competindo), esse senhor era bom o suficiente na função dele para chegar às finais. O que significa que, a não ser que eu fosse sortuda o suficiente pra cair com um dos dois cavalheiros que tinham um nível muito acima dos demais, eu estava dançando com alguém que tinha exatamente um nível parecido com todas as outras pessoas naquela categoria.

jj-conexao

A ideia de “azar”

Normalmente as pessoas acham que em todas as categorias terão pessoas competindo no nível, algumas abaixo e outras acima, do nível da categoria. Isso é verdade na maioria das vezes. Em cada evento, as finais de cada categoria serão um reflexo dos x% melhores competindo naquela ocasião. A dificuldade para algumas pessoas aparece quando existe um grande desequilíbrio entre cavalheiros e damas. Afinal, é de se esperar que na função com mais competidores, a competição seja mais acirrada.

Sim, isso também é verdade. A questão é que, com a exceção do Newcomer (e às vezes o Novice), as pessoas precisam ganhar pontos suficientes para chegar naquele nível. O que significa que, teoricamente, elas já foram pré-selecionadas. E, a não ser que seja uma competição que só tenha finais direto, elas também passaram pelas eliminatórias e foram eleitas as x% pessoas com maior nível naquela categoria e naquele evento, para irem às finais.

Isso significa, que o efeito “azar” é praticamente irrelevante!

Nas preliminares você é avaliado individualmente, então na real não importa muito com quem você cair. Além disso, é muita presunção achar que os jurados não avaliaram individualmente direito a SUA dança por culpa do seu parceiro. Os jurados fazem isso há tempo suficiente para saberem, só com um rápido olhar, quem realmente tem a técnica.

Claro que não estamos entrando no mérito aqui de se “os jurados têm tempo suficiente para julgar decentemente a todos”. Esse é um assunto para outro dia. O que eu estou dizendo aqui é sobre culpar seus parceiros pela sua eliminação precoce em uma competição.

Além disso, tem uma grande diferença entre “ter sorte” e “ter azar”. “Ter azar” implica que a pessoa que você caiu era, de alguma forma, PIOR que todos os outros na mesma categoria. Por outro lado, “ter sorte” significa que você caiu com alguém que era absolutamente acima em comparação com as outras pessoas da categoria.

O que eu vejo frequentemente, são pessoas reclamando de “terem tido azar” quando na verdade o que aconteceu é que elas simplesmente não “tiveram sorte”.

Nós precisamos mudar nossa mentalidade de reclamarmos de “ter tido azar”. Ao invés disso, deveríamos focar em pensar como aquela outra pessoa “teve sorte” de cair com aquele dançarino incrível, ou como aqueles dois ótimos dançarinos “tiveram sorte” de cair juntos. A questão não é sobre quanto azar você teve, mas sim, quão sortudo eles foram.

A confusão entre “na média” e “azar”

Em uma competição de JnJ, você frequentemente vai cair com alguém na final que dança num nível médio para aquela categoria. O que significa que quando você pensa que “teve azar” em cair com essa pessoa, na verdade você só caiu com alguém “na média”. Afinal, eles chegaram até as finais!

Ao invés de colocar a culpa do seu resultado ruim em alguém, você devia focar no que deu tão certo pras pessoas que ganharam. Sim, não foi você que ganhou. Sim, eles tiveram um pouco de sorte. Mas, se você procurar pensar nos vencedores, provavelmente você conseguirá dizer “É, eles realmente mereceram”.

Isso é mais humilde da sua parte. Ao invés de culpar as outras pessoas, isso te traz um sentimento de realmente reconhecer o esforço dos outros e suas conquistas.

Todos nós torcemos para cair com alguém excepcional, mas não vamos confundir cair com alguém “na média” com “azar”.

Obviamente, esse artigo não é sobre parceiros inconvenientes que te fazem ficar com medo de dançar com eles ou que você tenha um histórico pessoal ruim. Não é isso que eu estou chamando de “azar”.

Na verdade, vamos esquecer essa ideia de “azar” totalmente. Por que não olharmos para o “azar” como uma falta de compatibilidade e conexão entre os parceiros? Por exemplo:

  • Conexões que não combinaram
  • Estilos musicais que não combinaram
  • O nível entre cavalheiros e damas nessa categoria estava muito diferente

Chega de culpar o outro numa competição, e vamos começar a elogiar o casal que teve habilidade e sorte o suficiente pra ganhar.

Acredite, é muito mais saudável para todos. Culpar os outros nunca leva ninguém a nada.

Fonte: http://www.danceplace.com/grapevine/jack-n-jills-do-people-deserve-better-partners/

Traduzido por: Lucas Esteves