Tag Archives: musicalidade

Música e musicalidade – Dica rápida

Antes de dançar west eu tocava guitarra. Entrei de cabeça nesse mundo pop – atual e principalmente – que envolve o ritmo, exatamente quando estava deixando de lado alguns anos de metal progressivo, um estilo de música que gostava bastante.

O metal progressivo é conhecido por ser extremamente complexo, envolvendo vários elementos, até mesmo alguns de música clássica. Assim, eu sempre fui do tipo que gostava de procurar todos os detalhes das músicas.

Ao longo do tempo, percebi que essa minha “raíz” tinha proporcionado uma grande vantagem na dança. É que o west é uma dança musical por natureza, e, dessa forma, quanto mais detalhes você conhece da música, mais possibilidades você tem de criar e se divertir. Até porque a musicalidade de acentuação (aquela em que você conta os oitos) é ótima, mas tem uma hora que abusa, né? Hehe

Por isso, deixo uma dica rápida, fácil e que eu particularmente gosto muito: experimente escutar as músicas de west com fones de ouvido! Os fones ajudam a escutar mais detalhes. Escolha aquelas que você mais gosta de dançar e vá percebendo as nuances. Depois, sozinho ou acompanhado, tente dançar e se desafiar a “pegar” esses detalhes mais secundários da música! As batidas diferenciadas, os “back vocals”, aquele instrumento mais baixinho etc.

Fazendo isso você vai treinar seu ouvido e seu corpo para gerar mais possibilidades de se divertir dançando uma mesma música. Alguns dançarinos famosos são ótimos com isso. Virginie Grondin, Tatiana e Ben Morris são bons exemplos para se considerar, dentre outros!

Isso é algo simples e prioritário que eu deveria colocar na minha dança? Bom, simples não é! Mas para mim, contanto que o seu parceiro esteja confortável dançando com você, escolher no que investir é algo pessoal. Eu diria que o prioritário é se divertir em conjunto, então vê se isso não vai te ajudar a se divertir ainda mais, faz um teste!

Texto produzido por: Wilton Júnior

A musicalidade não existe

Isso é algo que me incomoda há um bom tempo, e agora eu finalmente coloquei os pensamentos em ordem para conseguir escrever sobre isso. Esse artigo é sobre musicalidade.

Musicalidade BannerA musicalidade não existe. Ela só existe na mente de alguns. A faísca que me fez começar a questionar o conceito de musicalidade foi perceber que toda vez que eu discutia sobre musicalidade com outro dançarino a gente terminava tendo que definir alguns termos. Além disso, todo mundo que eu converso tem uma definição completamente diferente do que significa musicalidade. São indícios suficientes para me deixar com uma pulga atrás da orelha. Se não conseguimos concordar no que é musicalidade, como alguém pode afirmar que isso existe?

Quando eu converso com outros dançarinos sobre musicalidade, apesar da falta de definição, alguns tópicos recorrem. Ideias que são comumente referenciadas à musicalidade são:

  • Conectar-se à música
  • Ter um relacionamento com a música
  • Mover-se no ritmo da música
  • Sentir a música
  • Acentuar ou pegar as pausas
  • Dançar a música com sentimento
  • Refletir a vibe da música
  • Contar uma história através da música
  • Dançar seguindo um instrumento específico, ou a voz

É justo afirmar que a maioria dessas ideias é verdadeira, se não todas, além do que elas não são mutualmente exclusivas. Entretanto, comecei a pensar: “esses conceitos não representam exatamente o que é dançar?”, ou seja, se você não faz essas coisas, você realmente está dançando? Quer dizer, isso é a dança!

Aí que me ocorreu que a ideia de musicalidade só existe porque, para algumas pessoas, dançar se tornou executar alguns passos ou movimentos com técnica. Na forma que a dança é ensinada hoje em dia, é como se a musicalidade (ou música) fosse separada da parte física da dança, processada e depois adicionada novamente, após a parte física. É como um pão com fibras adicionais. Soa saudável, mas não é. Você não pode remover nutrientes da comida, processá-los e adicionar novamente esperando que a qualidade da comida se mantenha a mesma. Da mesma forma, é impossível remover a musicalidade (ou música) da dança, processá-la, adicionar novamente depois e esperar que a qualidade da dança não seja afetada.

Na minha opinião, isso só acontece porque a forma como a dança é ensinada foi corrompida fazendo com que as pessoas da indústria da dança perpetuasse conceitos como a musicalidade. Dançar na música não é opcional. Não é um módulo ou uma classe que você se inscreve como parte de uma qualificação, depois que você termina Dança 1, Dança 2 e Dança 3. Faz parte da dança. É a dança. Se você dança sem perceber a música, você não está dançando. Musicalidade é dançar, e dançar é musicalidade. Não há separação entre dança e música. Qualquer conceito diferente disso é pura ilusão.

A segunda provocação que quero fazer aqui é que musicalidade não pode ser ensinada. Mesmo que você acredite que a musicalidade realmente exista. Eu não acredito que possa ser ensinada. Entretanto, eu acredito que a musicalidade (ou música) pode ser aprendida. “Como algo que não pode ser ensinado, pode ser aprendido?”. Eu acredito que a expressão dessas ideias, sentimentos e emoções que a música traz podem ser aprendidas (ou talvez descobertas fosse uma palavra mais apropriada), mas eu não acredito que qualquer professor possa ensinar musicalidade para uma pessoa. Expressão musical é uma experiência pessoal extremamente subjetiva. O máximo que um professor pode fazer é expor seus alunos a várias possibilidades e prover um canal através do qual eles acessem essas ideias, sentimentos e emoções. Entretanto, a verdadeira expressão, e o caminho do aprendizado, só pode ser percorrido pela própria pessoa. Um excelente professor abre a porta, mas a pessoa precisa atravessá-la por si só.

Mas o que os professores podem fazer sobre isso? Apesar de eu achar que não é possível ensinar musicalidade, eu definitivamente acredito que é possível ensinar sobre música. Afinal de contas, a palavra mais importante em musicalidade, é música. Já escutei alguns professores dizerem que é impossível ensinar sobre música a iniciantes, pois eles não iriam entender. Frequentemente eu observo que as aulas de musicalidade são focadas em dançarinos mais avançados. Algumas pessoas acreditam que iniciantes não conseguem entender ou apreciar a música, ou que eles ficarão entediados. Eu acho que isso é menosprezar a capacidade das pessoas. Eu acredito que, mesmo sem nenhuma formação musical, se a pessoa consegue contar até 4, bater palmas e murmurar um som básico, ela é capaz de aprender a apreciar a música em um nível bem sofisticado. E poucas pessoas que eu conheço não têm essas habilidades. Se um aluno demonstra inabilidade para aprender sobre música, eu acredito que isso reflete mais o conhecimento e habilidade do professor do que do aluno.

Mas o que os professores de dança podem fazer para o aprendizado da música fazer parte de suas aulas? Seguem algumas ideias:

  • Quando você tocar uma música na aula, mencione o nome da música e do artista e faça algum comentário do que você acha que chama a atenção nessa música. Demora cerca de 10 segundos, não tem desculpa para não fazê-lo. Isso fará com que os alunos se familiarizem com artistas e músicas e se animem para pesquisar e identificar as músicas que eles mais gostam.
  • Durante o aquecimento, ou quando você estiver demonstrando alguma técnica para os alunos, não passe reto nas quebras. Tente honrar a música de alguma forma, mesmo que isso significa desviar levemente da ideia original do passo que está ensinando. Os alunos terão a oportunidade de ver, logo de cara, como é um dançarino avançado brincando com a música, ao invés de apenas passos. Eu acredito que essa abordagem de “aprendendo por osmose” nunca é demais.
  • Se você está ensinando um passo, no final da aula, demonstre esse passo primeiro na contagem e depois na música com paixão para que os alunos possam ver a diferença entre se mover na contagem e realmente dançar na música. Você pode adicionar também algumas variações e improvisos no final para inspirar e expor os alunos a mais possibilidades. Eu adoro quando professores fazem isso e gostaria que mais deles o fizessem.
  • A cada semana, incentive um aluno a trazer um música que ele gosta e toque-a ao final da aula. Peça para esse aluno fazer uma descrição breve de porquê ele gosta daquela música e o que ela significa pra ele.
  • Informe seus alunos quando algum artista interessante estiver fazendo show na cidade. Você pode até organizar um grupo para ir assistir.
  • Se você faz resumo no final da aula, pergunte aos alunos o que você disse a eles no começo da aula. Ou seja, qual o nome da música e do artista que você citou? Novamente só tomará alguns segundos, mas após algumas semanas isso estará presente na mente deles, criando um costume de apreciar a música.

Tente fazer a interpretação musical e apreciação pela música parte de cada aula, do iniciante até os treinos mais avançados. Não precisa ser uma palestra de uma hora. Alguns exercícios que duram poucos segundos, mas, no geral, farão uma grande diferença em como os alunos se relacionam com a música.

E o que você pode fazer, como aluno, para aprender mais sobre música? Existem diversas coisas que você pode fazer. Seguem algumas ideias:

  • Pegue algumas músicas que você gosta muito e analise-as profundamente
  • Pesquise sobre diferentes artistas e aprenda um pouco sobre sua cultura, de onde eles vieram e por qual processo passaram para criar as músicas que você gosta
  • Preste atenção nas letras, traduza-as se necessário, para entender mais profundamente do que se trata cada música
  • Escute ativamente a mesma música diversas vezes e tente isolar os instrumentos e a voz
  • Amplie seu gosto musical ouvindo algo diferente do que você está acostumado, como pop, sertanejo, rock, funk, samba, bachata, forró e etc
  • Vá a shows. Você pode aprender muita coisa sobre música só de ver alguém se apresentando ao vivo
  • Converse com músicos locais. Muitos deles ficarão extremamente felizes de conversar com você, por horas, sobre a música deles, normalmente ninguém pergunta isso pra eles.
  • Participe de um coral
  • Aprenda a tocar um instrumento. Eu descobri que violão é relativamente fácil para iniciantes e você pode comprar um usado em bom estado por menos de R$100. Existe uma infinidade de aulas gratuitas online. Você pode aprender a tocar suas músicas favoritas usando apenas alguns acordes. Nada vai te ensinar mais sobre música do que aprender a tocar algum instrumento.

Todas essas sugestões podem te ajudar a apreciar melhor a música. Perceba que nenhuma dessas ideias envolve fazer aula de dança ou de musicalidade e são extremamente baratas.

Em resumo, eu sugiro que você esqueça a musicalidade. Assuma que musicalidade não exista. Só existe a música. Tente focar em fazer a música ser parte da sua dança toda vez que você for dançar e veja a diferença que isso faz.

Fonte: http://latindancecommunity.com/the-musicality-myth/
Tradução: Lucas Esteves

 

Musicalidade: o tema do momento

“Musicalidade” é uma palavra ingrata.

Ouvir e aprender sobre música é uma experiência muito boa. Melhor ainda é poder expressar a música com sua dança. Mas é frustrante a obsessão que muitos dançarinos tem em “Ser mais musical” tendo apenas uma vaga ideia do que isso significa.

Musicalidade é um termo confuso. Todos nós sabemos disso.

Se você tiver sorte você talvez tenha um ideia intuitiva do que  “musicalidade” significa pra você. Você pode ter sua própria definição  que usa para debater com outras pessoas.

Mas francamente isso não é o bastante.

Se você quer dançar melhor na música, ou entender a música, você precisa  mais do que um entendimento intuitivo. Você precisa de mais do que algo vago e ideias conflitantes que muitos  professores apresentam.

Você precisa de detalhes!

Banner Musicalidade

MUSICALIDADE NA DANÇA

 

As pessoas gastam a vida inteira aprendendo sobre música. O mesmo vale para dança. Essa é uma área muito grande para estudar e a palavra musicalidade não te dá nenhuma dica de por onde começar. Imagine se você perguntar para o seu professor como improvisar no west coast swing, e ele disser “veja mais vídeos de West Coast” ou “Aprenda mais sobre West Coast”

Resumindo: Se vira! = (

Mesmo assim o conselho que a maioria dos estudantes recebem para serem mais musicais é escutem várias músicas, e aprendam mais sobre as músicas.

Todo mundo quer mais Musicalidade, mas cada um tem uma idéia diferente de o que musicalidade significa ou em alguns casos não faz ideia nenhuma.

Para conseguir ajuda você precisa saber exatamente o que você quer melhorar. É preciso mais informação e ser mais específico.

Por exemplo, aqui tem algumas palavras que podem ser relacionadas a ideia de musicalidade:

  • Identificar diferentes tipos de música
  • Entender Estrutura Musical
  • Conhecer as Terminologia da música
  • Diferenciar os instrumentos presentes
  • Achar/Entender a Contagem de 8 tempos, verso e refrão
  • Aprender a Contar e saber o ritmo da dança
  • Antecipar quebras, achar pontos de emenda, ritmos, repetições e etc.
  • Expressar diferentes tipos de sons com seu corpo
  • Criar novos ritmos
  • Escutar a música enquanto dança
  • Combinar improvisação na música com uma boa condução na dança
  • Encaixar sequências de movimentos na música
  • Criar suas próprias variações na música
  • Usar repetições, proposta e resposta e dinâmicas relacionadas a música

Se você não sabe que esses conceitos existem, é muito difícil de trabalhar neles. É possível que você faça um curso de musicalidade e descubra que o que você quer na verdade é entender a estrutura da música, mas alguém pode fazer o mesmo curso e ficar irritado porque não aprendeu nenhum exercício específico para trabalhar a criatividade na música.

Se uma aula é só classificada como “Musicalidade”, você nunca sabe o que vai acontecer.

Para ter o que você quer, você PRECISA SABER o que você quer.

Você quer entender música melhor? Se sim, você quer entender ela Intelectualmente (estudando), Intuitivamente (escutando), experimentalmente (tocando), ou todas as três?

Você quer dançar melhor na música? Se sim, o que isso significa pra você? Você quer ser único e criativo? Você quer agradar as pessoas? Você só quer algumas ideias básicas de música e ideias de movimento para replicar?

Dançar é um emaranhado de ideias. Você pode estudar algo individual, ou a interseção dos conceitos ou todo o conhecimento de modo geral.

Quando você estuda algo individual ou uma interseção, você vai inevitavelmente ser levado a outras. Mas você tem que começar em algum lugar.

Pare de se preocupar em ser “musical”; é muito vago. Ao invés disso, seja específico sobre o que você quer saber. Estude conceitos concretos e pratique exercícios específicos.

Comece em algum lugar, qualquer que seja! Tente várias ideias e não aceite respostas confusas.

Fonte: http://rebeccabrightly.com/musicality-drives-crazy/

Tradução: Marcel Cortinovis.